“Cuando me buscan nunca estoy,
Cuando me encuentran yo no soy…”

(Manu Chao, ‘Desaparecido’)


Insegurança visível em tempos sombrios.

Nos some, a cidade,

com seus quatro cantos —

fardo.

O medo aparece e seus vinte dedos —

dardo.


Nos come, a cidade,

barriga de baleia e seus tantos prantos —

guardo

o esquecimento de ter sido.

Não nascido,

afogado.


Nos doma, a cidade,

dama dura de amianto —

ardo

como água em poda dura —

sem corpo

enterrado.


O silêncio

não cala;

ele é marca

do Nada.

A verdade perambula

até que seja encontrada.

Até que seja

encontrada.



Exílio, por Carole Bê. Copyleft, 2018.

 Tudo aqui pode – e deve ser – compartilhado, divulgado, copiado. Peço apenas que citem a fonte, para que ela não pare de jorrar.